Enquanto os Estados Unidos lideram a assombrosa primeira posição com 140.000, o Brasil enterrou até ontem 77.000 vidas. Mas isso não é resultado de uma trágica fatalidade, apenas. Reflete a soma de centenas de decisões políticas cotidianas incisivas, categóricas, perversamente maquinadas para a morte. O quanto se morre no Brasil sequer pode ser acolhido como omissão. Trata-se de um poder de estado orquestrado para a eliminação daqueles que considera inadequados. Chacina.
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Hiberno física e psicologicamente
como um esquilo,
um morcego, um ouriço,
um rato-silvestre,
ou um qualquer
animal homeotermo
na travessia deste denso inverno.
Abandonei a tv, o facebook
e os grupos de whatsApp,
me recolhi ao orgânico,
ao que posso ler com as mãos,
à densidade do ébano,
aos aromas, à leitura, à escrita,
aos dedos sobre o piano,
ao aprender cotidiano
sobre viver.
O mundo me assusta.
Parece tudo errado,
tudo virado
e um denso desejo de justiça
me consome.
Desejo é pulsão de vida
como o vermelho,
o quente
e o sangue.
Hiberno como Perséfone
à espreita de uma próxima
primavera.
primavera.