domingo, 22 de novembro de 2020

22 de novembro

 

A poesia de ontem

Inda hoje me arrepia.

 

Poderia apagar

cada letra,

desdizer,

mas o que ali se fez

foi em mim revelado

como intuição.

 

A verdade é que a escrita

é um tipo de catarse.

 

Não sei escrever o sol, o rio, o mar.

 

Quando há sol

e a luz me toca a tez,

quando há rio

e o fluxo me leva ao mar,

quando há mar

e uma onda me salga o olhar,

nasce dentro sereno o silêncio.

 

O silêncio é o meu estado de oração.

 

A palavra é pus,

exortação.

 

A palavra quando grita a verdade,

tivesse eu uma pá,  enterrava.

 

Mas não se enterra

um raio de sol,

o sentido de um rio

não se entrerra,

não se enterra

o movimento de um mar.

 

A palavra é este estado

raio, sentido, atravessamento

e deitada em sua superfície

como em um divã

aguardo ávida o próximo

dito, movimento.