a palavra morre obtusa
como um pássaro
como um gato
como uma folha
como um redemoinho
quando é chegada a hora
ou mesmo antes quando não é chegada
também
as vezes morre a palavra apenas
porque não há nada mais
por fazer
como este céu nublado
inda meia hora antes
estrelado
ou porque ainda
descuidou a boca
de qualquer verbo, grito ou prosa
e dormiu bêbada sufocada no sofá
porque sentido mesmo, frente às dores, qual será?
antes mesmo de se firmar
ali onde se debatia em murmúrio
se redimiu a palavra
em disritmia e
silêncio
a nossa sina é viver pra ver
todo este céu se apagar
eu não sou do mar
eu não sou do mar